Bem vindo ao Anti-Religiosidade!

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Muitos acreditam que proferir palavras ofensivas contra o Espírito Santo seria sinônimo de cadeira vip no inferno. Entretanto, se assim fosse estaríamos incitando um espírito ressentido que depois de magoado, resolveria revidar os insultos de maneira drástica e sem absolvição. Mediante este conceito, até mesmo Paulo, ex-blasfemo confesso em 1 Timóteo 1:13, estaria sem escapatória. 

Sendo assim, se em meio a uma misericórdia sem tamanho, até mesmo os que escarneciam aos pés da cruz ouviam dos últimos suspiros do mestre palavras como: “Pai, perdoe-os eles não sabem o que fazem.” O que seria então o pecado contra o Espírito Santo?

Inicialmente, para compreendermos este conceito, recorreremos a um outro enigma. Em Mateus 5:21-26 é enfatizado três tipos de pecadores e réus: o comum; o réu do tribunal (conselho-sinédrio) e ainda o réu do fogo do inferno. O que nos chama atenção é que segundo Jesus, o possível homicida (ainda que não de circunstância, mas tão somente de coração) responderia como réu comum; enquanto o que apelidar de “desgraçado” (na tradução latina, “tolo”), se tornaria réu de fogo do inferno. 

Nesse sentido, vemos que os que contemplam a outros como desgraçados, desgraçados tornar-se-ão. Perderão a Graça e declinarão para a desumanização. Logo, é no inferno que respondem, os que o inferno anseiam a outrem. Então, enquanto os homicidas sentar-se-ão em tribunais comuns; aos assassinos espirituais lhes caberão brasas ardentes. Logo, os pecados referentes à alma pesam ainda mais que os renitentes ao corpo.

No entanto, mesmo os escarnecedores que por ventura macularam um irmão a ponto de tentar-lhe furtar a alma, ainda assim seriam réus e não condenados. A estes lhes caberiam um julgamento, que apesar do peso pungente, subsistiria a salvação, ainda que fosse pelo fogo. Por outro lado, aqueles que conscientemente contra o Espírito Santo empreendessem demandam, teriam por si só, assinado a própria sentença. Estes não se fariam presentes em tribunais porque de livre vontade já optaram pela ruína.

O que no primeiro caso seria uma tentativa de homicídio espiritual flexível a julgamento; no segundo tornar-se-ia um suicídio consciente e declarado mediante a mortificação e o aniquilamento. A decisão espontânea do homem em contra sua própria natureza impelir destruição. A abnegação do ser. A opção acordada de um cônscio em rebelião à própria vida. A metamorfose de Espírito Santo à Belzebu. 

Dessa maneira, o pecado sem perdão não é um pensamento sujo ou uma palavra maldita, mas a escolha sagaz que assolando o coração infestou a alma e levou a traição consciente do espírito. Sem perdão é, porque sem remorso é reiterado.

Creio que poucos dentre nós teriam a capacidade real em cometer este suicídio. Logo, demandaria um nível palpável de conhecimento para empilhar tamanha carga de corrupção voluntária. Sendo assim, infalivelmente pressuponho que nem nós, nem Paulo, tenhamos cometido tamanha blasfêmia a ponto de sem reverso definharmos o Santo Espírito de Deus presente em nós. O sopro divino é a Graça da criação. Não joguemos nossas pérolas aos porcos e de sua própria miséria os porcos minguarão, a erva secará e o espírito conservará soberania.